Como costurar um planeta

“Páre de falar de Holoceno! Estamos no Antropoceno”

Hein? Como? É…pití de cientista é assim… dramático e complexo.

Foi assim que, num surto, o químico e ganhador de Prêmio Nobel Paul Crutzen interrompeu o palestrante no meio de uma importante conferência global (The Effects of Ozone-Depleting Compounds), cheia de cientistas e gente inteligente, há 10 anos, lá na Holanda.

Silêncio geral no auditório.

Coisa de macho de cérebro anabolizado, ter a coragem de fazer uma cena dessas, no meio de uma platéia dessas.

O tal Holoceno, é uma época que se iniciou na última Era do gelo (há 12 mil anos) e se extende até hoje. E como você deve saber, “antropo” significa “homem”. O que Paul Crutzen quiz dizer é que essas eras sempre foram medidas pelo impacto do planeta sobre o homem. Mas, agora as coisas se inverteram, e o impacto do homem sobre o planeta é, pela primeira vez na história, mais relevante. Portanto, agora é “Antropoceno“.

O coffee break foi comprometido. Não se falava em outra coisa que o “Antropoceno”.

Cérebros flipavam dentro dos crânios dos crânios.

Em pouco tempo alguém melhorou ainda mais o termo recém-criado, e acrescentou:

“o homem está, finalmente, reinvindicando e estampando uma marca de direitos autorias sobre o planeta”.

(uau, esse pessoal é bom de texto, facilita a citação pra tuitada)

Ou seja, pela primeira vez conseguimos criar um impacto sobre o planeta equiparável a uma era glacial.

No Terra vs. terráqueos, viramos o jogo.

MAS O QUE FOI QUE FIZEMOS?

Fizemos o maior liga-pontos do universo conhecido.

Estamos construindo há milhões de anos uma malha de ligações entre pessoas. Criamos desenhos, estradas, pontes, línguas, alfabetos, livros, postes de luz, antenas, cabos submarinos de internet. Tudo o que foi (e for) possível para nos ligar uns aos outros, apesar de umas guerras aqui e acolá. Queremos nos unir, nos aproximar e com o perdão da palavra desgastada, nos conectar. E quanto mais a gente consegue, mais rápido criamos novas ligações.

O biologista E. O. Wilson, que também estava na conferência, mandou um “nosso padrão deixou de ser o do primata e ficou mais bacteriano”. Demorou muito, ninguém deu bola, mas ele está certo.

Nosso planeta que era assim como esse primeiro frame do video abaixo, ficou…

(essa é a deixa para você dar o play)

… assim:

Parece linguagem de tecnologia, mas eu enxergo poesia pura, de emocionar mesmo.

Vamos ver o que fazemos daqui para frente, já que estamos de mãos dadas, mais íntimos. Torço por orgiais cerebrais homéricas.

O video é uma criação da  Globaia

Updater: Wagner Brenner

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