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O saibro azul de madrid
Quem está acompanhando o ATP Mutua Madrid Open, já conferiu a polêmica novidade: o saibro azul.
“La pista azul de Madrid”.
Para quem não sabe, uma quadra de saibro é aquela com um pozinho avermelhado, feito basicamente de pó de tijolo.
É o tipo de quadra de tênis mais comum, principalmente na europa e aqui pela américa latina.
Só que agora inventaram uma versão azul.
Inventaram não, inventou. Quem está por trás dessa novidade é o bilionário e ex-jogador Ion Tiriac, que resolveu chamar a atenção do mundo para seu torneio. E conseguiu.
O motivo do saibro azul é seguir a bolinha, que é amarela, mais facilmente.
Tanto para jogadores, como para o público presente e, principalmente para os telespectadores.
O estudo foi encomendado a uma empresa especializada, mas podiam ter economizado essa grana já que qualquer um que trabalhe com cor sabe que existe sempre uma oposta, em termos de contraste.
Ou seja, ou mudava a cor da bolinha ou da quadra. Se a bolinha não muda e é amarela, o melhor contraste possível é o azul.
Basta abrir uma imagem de quadra no Photoshop e brincar com o slider de Hue, para descobrir quais seriam as possibilidades de contraste entre bolinha e quadra.Tanto é que as quadras “duras” já experimentaram também algumas cores (até roxo) e muitas são azuis mesmo. O que não tinham pensado ainda era um saibro azul.
E não é um processo fácil: é preciso descolorir o pó, deixar branco e tingir de azul. E quem comandou esse processo foi Gaston Cloup, reponsável pelo saibro mais famoso do mundo: o de Roland Garros (aliás, saibro azul, com umas placas vermelhas no quadra seriam perfeitas para a França, quem sabe um dia).
Outro motivo bastante relevante mais velado é que o azul é a cor do patrocinador oficial do torneio.
Os jogadores, claro, já reclamaram da quadra Smurf (aqui, 10 depoimentos)
Nadal, que é espanhol e é considerado o rei do saibro, já meteu a boca e disse que a cor vai contra o tradicionalismo das quadras (como se usar aquele bermudão colorido até a canela e cutucar o fiofó a cada 2 minutos fosse muito tradicional. Mas o Nadal pode, joga muito).
Reclamaram também que a bola quica pouco (mas certamente mais que em Wimbledon, onde as quadras são de grama), que escorrega mais (o que seria um problema mais na hora da arrancada do que na aproximação com a bola, mas não tenho vi ainda muito jogador chegando atrasado nas bolas não. Lesões são um risco, mas no saibro sempre são) e que o jogo ficou mais rápido (provavelmente mais por conta da altitude do que pela quadra).
Pessoalmente achei uma jogada de mestre.
Ion Tiriac conseguiu arrumar a combinação perfeita para contentar aos que assistem (uma questão importantíssima para o futuro do esporte – assistir tênis pela TV requer esforço), aos que patrocinam e ainda está gerando o maior buzz. Tanto é que, tirando mesmo os jogadores, todos estão elogiando.
Outra jogada de mestre de Ion Tiriac foi contratar modelos profissionais como pegadoras de bolas.
Engraçado lembrar como o Corinthians foi super criticado semanas atrás quando propôs ao Comitê da Copa que o gramado de seu novo estádio fosse preto. Todo mundo meteu o pau, falaram que isso era porque corintiano só tinha TV preto e branco mesmo, etc.Eu acho que poderia ter sido genial.
Há muitos anos os americanos dão umas tunadas em suas quadras de basquete e de seus campos de futebol americano, com logos estourados e coloridos. Tudo isso contribui para a modernização do esporte e devia ser considerado de uma maneira mais séria.
Quadras e campos não deixam de ser interfaces, onde são realizadas partidas que serão apenas jogadas mas assistidas, como acontece nos video-games.
Deveriam usar profissionais de interface na vida real também.
No caso da grama preta, todas as matérias que li, sem excessão, diziam que o Corinthians não queria o gramado verde por causa do Palmeiras, e essa maneira de expor a ideia foi a coisa mais estúpida que poderiam ter feito. Poderia ter sido um case mundial.
Updater: Wagner Brenner
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