Pescando o novo, usando crianças como isca

Adoro essa foto, dos tiozinhos ensinando a molecada a nadar no lago, em 1913, lá na Inglaterra.

Parece até pegadinha, onde já se viu, amarrar os moleques assim, com varas. Se existisse tubarão em lago era capaz do vovozinho fisgar um dos grandes.

Mas se você parar para pensar, o que hoje nos parece um absurdo era levado bem a sério em 1913.

Olha lá, não tem ninguém rindo na foto, e acho até que a molecada tá fazendo cara de orgulho.

O método é bizarro, mas é preciso admitir que é bem elaborado. E exige sim dedicação total ao aluno, antes mesmo dele entrar no lago.

É preciso construir essa vara, vestir as cintas e ainda ficar segurando o aluno o tempo todo.

E conceitualmente é a mesma ideia de sempre (quem tem filho deve lembrar de ter feito isso na piscina): o professor fica por conta de manter o aluno boiando, para que ele possa se concentrar nos braços e pernas.

Conceito 10, formatação 6.

Fico sempre imaginando quais são as ideias que achamos sensacionais hoje e que serão os “meninos em varas” de amanhã.

O avião? O motorzinho do dentista? A academia de ginástica? A escola?

A genialidade de hoje é fatalmente a ingênuidade de amanhã.

E o motivo pelo qual dentro de cada ideia boa existe uma ideia ingênua soterrada é simplesmente porque alguém resolveu tentar, da melhor maneira possível para a época, fazer algo diferente e evoluir.

Apesar dos olhares.

Afinal, o caminho se faz ao andar.

Inovar é beijar o mico na boca.

Updater: Wagner Brenner

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