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Repensando o layout dos calendários para evitar a procrastinação

O ser humano tem uma forte tendência a procrastinar. “Procrastinar”, para quem não sabe, é o ato de adiar algo, deixar para depois, postergar – e existem inúmeras teorias que tentam explicar esse hábito.

Alguns dizem que isso acontece por falta de organização pessoal. Joseph Ferrari, professor de psicologia na De Paul University, em Chicago, e um dos grandes estudiosos do assunto, acha que organização pessoal não é o problema – e afirma que a procrastinação é apenas um truque do cérebro para garantir ao corpo mais tranquilidade a curto prazo.

Segundo ele, os procrastinadores têm a mesma habilidade de estimar o tempo que as outras pessoas, apesar de serem mais otimistas que a média.

“Pedir para um procrastinador que compre uma agenda para organizar a semana é a mesma coisa que pedir para alguém com depressão crônica que simplesmente se anime” – insiste.

Segundo o blog Psychology Today, um hábito comum observado nesse grupo de pessoas é que eles contam mentiras para si mesmos. Mentiras como “vou fazer isso melhor se eu fizer amanhã” ou “eu trabalho melhor sob pressão”.

Mas o fato é que eles não sentem mais urgência no dia seguinte, tampouco mostram melhores resultados sob pressão.

Uma outra mentira que os procrastinadores contam para si mesmos é que deixar para fazer uma tarefa quando o tempo está se esgotando os torna mais criativos. Infelizmente, eles não ficam mais criativos quando o tempo está acabando; eles apenas sentem que ficam.

Leia o artigo completo depois do jump.

Pausa para a historinha:

Uma pesquisa pedia que as pessoas testadas olhassem para um grupo de 24 filmes e escolhessem 3. No grupo, haviam “filmes cabeça” (como A Lista de Schindler) e “filmes fáceis” (como Uma Babá Quase Perfeita). Em outras palavras: era uma escolha entre filmes-que-prometiam-ser-engraçados-e-facilmente-esquecidos versus filmes-memoráveis-mas-um-pouco-mais-difíceis-de-digerir.

Muitos escolheram A Lista de Schindler como uma das 3 opções, já que tudo levava a crer que aquele era realmente um ótimo filme: as opiniões dos amigos, as resenhas pela internet e os diversos prêmios adquiridos pelo longa-metragem nos mais renomados festivais de cinema do mundo.

Depois de escolher os 3 filmes, a pessoa deveria escolher 1 para assistir imediatamente, 1 para assistir depois de dois dias e 1 para assistir depois de quatro dias.

O resultado? A maioria escolhia O Máscara ou Olha Quem Está Falando como 1º filme. Os “filmes cabeça” foram escolhidos como última opção em 71% das vezes.

Quando pediram para as pessoas escolherem novamente 3 filmes, mas dessa vez para assistirem um na sequência do outro, A Lista de Schindler foi escolhido 13 vezes menos.

Ok. E o que isso tem a ver com calendários?

Um dos problemas dos calendários convencionais, onde uma semana fica empilhada em cima da outra, é a sensação que ele causa em quem olha para ele.

Pode ser muito perigoso olhar para esse tipo de calendário, porque ele nos sugere uma certa complacência ao pensar: “Bom, essa semana não foi muito boa, mas tem uma outra semana igual a essa começando em alguns dias”.

E outra.

E mais outra.

No fim, a falta de visão do todo cria a falsa ilusão de que o tempo é algo cíclico – e não linear.

Mas quando olhamos para um calendário linear (como essa da imagem aí de cima), somos forçados a nos lembrar da preciosidade de cada um dos dias quando comparados ao todo.

O layout desse novo calendário é muito simples: os doze meses aparecem na horizontal, empilhados um sobre os outros. Ao invés de focar na relação de uma semana em comparação ao mês, ele foca na relação de cada dia em relação ao ano.

Quando você “empurra” uma tarefa para a semana seguinte, você consegue ver que está se aproximando do fim do mês e do fim do ano. E isso talvez te faça repensar se você realmente quer empurrar tudo pra frente.

Estabelecer metas para o ano assim que ele começa não é novidade para ninguém. Mas quando o cronômetro começa a andar e você está ali, imerso em uma semana de maio, você muitas vezes deixa de visualizar o que já passou e o que ainda falta passar. E isso é, em partes, culpa dos layouts dos calendários que nos rodeiam: no Outlook, no Google, no celular, na folhinha que você ganhou de brinde e está pendurada ao lado do seu monitor.

O exercício de redesenhar o calendário convencional foi feito pelo designer Marke Johnson, da The Made Shop, que se sentia incomodado com a falta de visão de longo prazo de algumas pessoas.

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